Retornar ou construir: o que fazemos com o passado?

Acolhimento, Expatriados, Psicanálise, Psicoterapia on-line, Saúde Mental
Imagem simbólica de retorno e construção de novos caminhos

A experiência de morar em outro país, quando finalizada, traz o momento do retorno. Sentimentos ambivalentes e confusos podem vir à tona.

Muitos viajantes, ao voltar, encontram parentes e amigos no mesmo espaço em que foram deixados. Mas quem viajou foi transformado e, por vezes, já não sente que cabe ali da mesma maneira. O que fazer?

Voltar não é regressar ao mesmo lugar

Viver em outro país pode ampliar a liberdade e deslocar raízes. Ao retornar, a sensação pode ser a de voltar ao passado. Novos hábitos, referências culturais e formas de compreender a si mesmo nem sempre se encaixam na história anterior.

Durante a vida fora, algumas convenções e compromissos familiares ficam suspensos. Há mais autonomia para experimentar outros modos de ser e desejar. No retorno, reencontrar o “eu” do passado e antigas obrigações pode gerar cansaço, tristeza, irritação, isolamento e sensação de não pertencimento.

Outro vazio possível é a ausência do desafio e da aprendizagem diária que viver em outro país proporcionava.

Construir pertencimento novamente

Para lidar com esse processo, pode ser importante aprender coisas novas, conhecer pessoas, manter o espírito de descoberta, praticar atividades prazerosas e sustentar o autoconhecimento adquirido durante a experiência no exterior.

Entre retornar e construir, talvez seja preciso escolher construir: criar um ambiente possível para a pessoa que você se tornou.

Dê espaço às lembranças e aos aprendizados sem exigir que o presente reproduza o passado. Componha sua história e construa sentido para o que realmente importa neste novo momento.

A sensação de amarras pode ter dimensões externas e internas. Elaborá-la exige tempo. A psicoterapia para expatriados pode apoiar tanto quem vive fora quanto quem enfrenta o retorno.


Nota editorial: Texto integral recuperado da publicação de 29 de julho de 2019 e revisado preservando sua ideia central. O conteúdo foi revisado em agosto de 2026 para corrigir linguagem, atualizar contexto e preservar a segurança clínica, sem finalidade diagnóstica.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Preencha esse campo
Digite um endereço de e-mail válido.
Preencha esse campo

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Outros Textos

Livros e Publicações

Capa do livro "Dependência Emocional: Diálogos e Perspectivas Psicológicas", com imagem de boneco de madeira preso por cordas como marionete. Co-autora Gisa Aquino Dineli

Dependência Emocional: Diálogos e Perspectivas Psicológicas

Autismo Fora da Caixa: Um Guia Descomplicado para a Família