Adolescência e a Saúde Mental

Adolescência e a Saúde Mental

categoryAcolhimento, Psicologia da Adolescência
tagacolhimento, adolescência, depressão, psicanalise, psicologia, saúde mental, tecnologia

Entendendo a adolescência

A adolescência é uma fase complexa e formativa na vida do ser humano. Esse período compreende a fase da vida que se inicia aos 10 anos de idade e vai até os 19. Podendo acontecer várias e diferentes mudanças no aspecto físico, emocional e social, influenciado o comportamento e podendo acarretar a danos na saúde mental dos jovens.

Adolescência e a Saúde Mental. Alguns estudos apontam a adolescência como uma fase da vida mais suscetível para o sofrimento psíquico, como: ansiedade, depressão, transtornos alimentares e o uso abusivo de álcool e/ou drogas. Tal suscetibilidade vem sendo relacionada diretamente ao atual aumento nos casos de suicídio entre adolescentes, assim como o aumento de medicalização para o tratamento desses transtornos psíquicos.
De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) em parceria com a OMS, indica o suicídio como a terceira causa de morte entre adolescentes de 10 a 19 anos, em alguns dos 15 principais países americanos, e a segunda causa de morte entre jovens de 15 a 19 anos em nível mundial.

Fatores de Risco na adolescência

Tradicionalmente, a adolescência e a saúde mental nessa fase são conhecidas como um período de instabilidade emocional e disparo de crescimento, acompanhado de mudanças físicas e psicossociais.

Diversos estudos discutem sobre o alto risco de depressão e suicídio na fase da adolescência, chegando a alcançar até 20% de predominância de depressão em alguns países. No Brasil, um inquérito epidemiológico detectou que 14,3% de adolescentes escolares de um município do Rio de Janeiro já pensaram em acabar com a sua própria vida (Assis, Pesce & Avanci).

Muitos são os fatores de risco que estão associados aos impactos mentais dos adolescentes, quanto mais expostos a eles, maiores são as chances de possíveis traumas psicológicos.

Dentre os fatores que contribuem para um maior estresse durante a adolescência destaca-se: um maior acesso e uso de tecnologias, pressão para se conformar com pares (conjunto de pessoas de igual posição social ou que compartilham um perfil (Ex: idade ou gênero), desejo de uma maior autonomia e exploração sexual.

A mídia, como sempre influenciadora, pode tornar bem mais severa a desigualdade entre a realidade vivida por um adolescente e suas ambições para o futuro.

Estudos mostram que a violência psicológica na esfera familiar é o fator que mais se associa a TPM (Transtorno Psiquiátrico Menor) em adolescentes. Aqueles que viveram mais humilhações, em que alguém significativo para o adolescente reduziu suas qualidades, capacidades, desejos e emoções, além de cobrá-lo excessivamente, apresentam 4,17 vezes mais chance de apresentar transtornos psiquiátricos menores em relação àqueles que não sofrem essa forma de violência. Ou seja, pais muito severos podem acarretar problemas psicológicos em seus filhos.
Bullying, desconformidade com seus pares e problemas socioeconômicos são também reconhecidos como riscos à saúde mental. Tal como, a violência sexual sabendo que crianças e adolescentes são vulneráveis a tal ato malicioso e criminoso, que resulta em danos psicológicos que podem se estender por toda a vida.

Muitos jovens estão em risco maior de problemas de saúde mental por conta de suas condições de vida, estigma, discriminação ou exclusão, sem falar na falta de acesso a serviços e condições básicas de saúde. Podemos aqui incluir os adolescentes que vivem em ambientes frágeis e extrema pobreza; adolescentes com doenças crônicas, transtorno do espectro autista, incapacidade intelectual; adolescentes grávidas onde muitas são rejeitadas pelo pai da criança e por suas famílias, órfãos, pais adolescentes ou em casamentos forçados e adolescentes que fazem parte de minorias étnicas ou sexuais ou outros grupos discriminados.

A Pandemia e a Saúde Mental dos Jovens

A chegada do Covid-19 fez com que na adolescência e a saúde mental dessa fase víssemos aumentos ainda mais as crescentes taxas de automutilação e suicídio entre jovens, além, de elevar ainda mais os fatores de riscos responsáveis por todos esses transtornos mentais que acometem os adolescentes em todo o mundo, ascendendo então, uma luz de alerta para pais e responsáveis.

A Tecnologia e a Saúde Mental dos Jovens

Estudos nos mostram que o uso intenso da tecnologia também está por trás do aumento de lesões autoprovocadas e pensamentos suicidas entre os jovens. Pesquisas realizadas nos EUA, Reino Unido e Canadá mostraram que entre 3.305 alunos de escolas públicas e privadas, 25% deles já haviam praticado alguma forma de automutilação e 10%, pensado em suicídio. Desses, quem passava um período superior a nove horas diárias conectado em smartphones, computadores ou tablets, obtiveram um risco quase duas vezes e meia maior de se queixar de tristeza, ansiedade, estresse e angústia, em relação aos que ficavam menos de duas horas conectados.

O tempo que esses jovens passam em jogos eletrônicos e redes sociais, podem influenciar seus emocionais de várias formas. Muitos encontram no mundo virtual motivos para as auto agressões, como, a comparação constante com outras pessoas da sua mesma idade e/ou gênero, jogos que estimulam a automutilação ou até mesmo o suicídio e o sofrimento de outras pessoas exposto em redes sociais.

Atualmente, no contexto da adolescência e a saúde Mental, os fatores pandemia e tecnologia andam atrelados, aumentando ainda mais os riscos para a saúde mental. Pois há 1 ano, nós brasileiros, estamos em isolamento, as aulas suspensas e todas atividades que necessitem sair de casa ou se reunir com outras pessoas. Isso fez com que os jovens principalmente, passem mais tempo em redes sociais e jogos eletrônicos, e, na maioria das vezes, sem a supervisão dos pais. Assim sendo, é de muita importância os pais estarem sempre atentos ao tempo que os filhos passam com seus smartphones ou tablets.

É de grande importância também:

  • Os pais e professores saibam identificar se um adolescente está sofrendo.

  • É preciso e necessário investir em maneiras de ajudar o jovem a lidar com suas emoções e dificuldades.

  • Apresentar capacidades para lidar com o estresse é algo que pode ser ensinado desde cedo, em casa e na escola, basta que pais e professores se munam de informações.

  • Em casos mais graves e dependência é preciso que a família busque a orientação de um psicólogo e/ou psiquiatra o quanto antes, para dar início a um tratamento adequado, seja a base de terapias, medicações ou associação de ambos.

 

Gisa Aquino Dineli

Psicóloga e Psicanalista

Textos relacionados da Gisa:

Alienação Parental na Pandemia

A Série The Act e as Mães Tóxicas

Depressão infantil na pandemia e a importância da reabertura das escolas

Acompanhe a Gisa no Instagram:

@gisaaquinodineli

3 Comentários. Deixe novo

  • Luzenilda Mendes
    25/02/2021 17:09

    Ótimo artigo e triste realidade de muitas crianças.

    Responder
  • Luciane Rafacho
    16/03/2021 19:33

    Esse dor pode ser evitada se ficarmos atentos a pequenos sinais

    Responder
  • Daniela Brito
    25/03/2021 18:02

    Excelente tema abordado .Muitos pensam que por serem adolescente não tem problemas mas, como foi destacado seus sofrimentos: dificuldade sócio-econômica, uso de alcoól, drogas, bulling, com o isolamento social e ficam mais na internet ,desenvolvem ansiedade e depressão e alguns infelizmente recorrem ao suícidio . Fica a importância dessa leitura para mim, pois sou mãe de adolescente e educadora dessa faixa etária de alunos de 15 anos de idade.

    Responder

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Preencha esse campo
Preencha esse campo
Digite um endereço de e-mail válido.
Você precisa concordar com os termos para prosseguir

Post anterior
A Série The Act e as Mães Tóxicas
Próximo post
Suicídio na Pandemia
Menu