“Quem me vê sempre parado, distante, garante que eu não sei sambar. Tô me guardando pra quando o carnaval chegar…” — Chico Buarque
Vamos falar sobre os momentos de recolhimento. O que são esses momentos?
São aqueles em que o sujeito, livre para ficar em sua própria companhia, faz uma escolha consciente e opta por isso. O recolhimento pode ser transformador quando nasce dessa escolha. Também pode favorecer o amor-próprio e o crescimento pessoal.
Isso é diferente da solidão vivida como sofrimento ou do isolamento usado para evitar vínculos. No recolhimento, há uma intenção: experimentar o silêncio, concentrar-se, observar-se e refletir sobre as próprias escolhas.
No início, estar só consigo mesmo pode causar desconforto. Aos poucos, esse tempo pode se tornar uma oportunidade para perceber-se e encontrar-se. Algumas mudanças internas dependem de um trabalho que ninguém consegue fazer em nosso lugar.
A arte de recolher-se é também uma maneira de criar novas possibilidades. O equilíbrio construído nesse processo pode repercutir na forma como nos relacionamos com outras pessoas.
Um tempo de criação
O recolhimento pode ser vivido como fase criativa. Ao escolhê-lo, abra espaço para a arte, a música, a leitura, a escrita, a dança e as pequenas experiências que devolvem beleza ao cotidiano.
Enquanto estiver em sua própria companhia, revisite desejos e fantasias. Refaça caminhos. Até que chegue o dia de, novamente, colocar o bloco na rua.
Texto dedicado ao psicólogo Marcelo Lovato Penna, pela amizade, carinho, recolhidas e acolhidas.
Quando estar só deixa de ser escolha e se transforma em isolamento doloroso, procure apoio. Veja também a categoria Solidão e os serviços de psicoterapia.
Nota editorial: Texto integral recuperado da versão publicada em 19 de novembro de 2015. O conteúdo foi revisado em agosto de 2026 para corrigir linguagem, atualizar contexto e preservar a segurança clínica, sem finalidade diagnóstica.




