A última viagem

Acolhimento, Luto, Psicanálise
Tênis sobre um mapa, representação simbólica de uma viagem

Estava sentado em seu quarto, esperando por sua última viagem. Há muito tempo tomara consciência disso.

Vieram à tona lembranças de uma vida inteira: o menino risonho, os pais amorosos e os valores transmitidos por eles — valores que ajudaram a constituir seu caráter.

Viveu muitas experiências boas. Construiu um patrimônio, formou sua família e, naquele momento, seus filhos e netos estavam lá fora.

Outras experiências foram dolorosas. Perdeu amores e trabalhos. Despediu-se de muita gente.

Tantas ausências ainda eram sentidas. A vida, em suas infinitas possibilidades, também traz vivências dolorosas. Isso é impossível negar.

Em seu semblante estava toda a sua trajetória. As marcas do rosto falavam por si. Houve sentimentos que pôde compartilhar; outros, mais sombrios, guardou para si.

Sentiu-se cansado.

Deitou-se, fechou os olhos e percebeu uma presença.

Pensou: “Não estou sozinho”.

Era uma presença sutil, com perfume de jasmim. Naquele momento de partida, era bom ter alguém querido ao seu lado.

A pessoa sussurrou em seu ouvido:

“Viver dói. Morrer, não.”

Ele sentiu-se em paz.

O luto e a finitude podem despertar emoções intensas. Se este tema estiver produzindo sofrimento, conheça também o texto Acolhimento e empatia no luto e os serviços de psicoterapia.


Nota editorial: Texto integral recuperado da publicação de Gisa Aquino no LinkedIn, originalmente publicada em 25 de janeiro de 2016. O conteúdo foi revisado em agosto de 2026 para corrigir linguagem, atualizar contexto e preservar a segurança clínica, sem finalidade diagnóstica.

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