Saúde mental e depressão infantil em tempos de pandemia

Atualmente o mundo vive em meio a uma pandemia que mudou a rotina e a vida de muitas pessoas. Aqui no Brasil as crianças e adolescentes já estão há quase um ano sem frequentar escolas. De uma hora para outra, tiveram que se adaptar às aulas remotas, deixaram de ter contato direto com amigos, avós, professores e começaram a temer a morte de entes queridos e suas próprias. Esses fatores mexeram com a saúde mental de muitos, principalmente das crianças, desenvolvendo quadros de insônia, angústia, irritabilidade, medo, perda ou excesso de apetite. Segundo Roberto Santoro, psiquiatra e psicanalista é necessário que os pais e responsáveis busquem um especialista da área ao notarem mudanças de comportamento.

Se tratando de depressão infantil, os sintomas mais comuns são agressividade, desânimo e irritabilidade.

Transtorno Depressivo

Conforme o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5; American Psychiatric Association [APA]), o transtorno depressivo é determinado por tristeza persistente, perda de interesse ou prazer em atividades anteriormente consideradas prazerosas, alteração no apetite (a fata ou excesso), alteração no padrão de sono (aumento ou diminuição), dificuldade de concentração e tomada de decisão, sentimento de culpa e inutilidade, desesperança, pensamentos negativos e ideias suicidas, por um período de duas semanas de duração no mínimo. Ressaltando que o DSM-5 não define critérios diagnósticos específicos para avaliação de crianças e adolescentes.

Estudos apontam que o transtorno depressivo maior em crianças, geralmente, é caracterizado por irritabilidade, choro, humor deprimido, triste ou abatido, que normalmente são predominantes em pessoas adultas. A criança pode apresentar também diminuição do interesse ou prazer em todas ou quase todas as atividades em grande parte do tempo, podendo haver dificuldade em obter ganho de peso estimado para a idade, apresentar insônia ou hipersonia quase todos os dias, agitação ou retardo psicomotor, perda de energia ou fadiga, sentimentos de inutilidade ou culpa excessivas, dificuldade de concentração e, por fim, pensamentos de morte. Entretanto, para que uma criança seja identificada com depressão maior é preciso que pelo menos cinco desses sintomas estejam presentes por um tempo de duas semanas.

Segundo Ana Maria Costa da Silva Lopes, professora do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFMG e psiquiatra com concentração na infância e adolescência, uma entre quatro a cinco crianças no mundo apresentam algum transtorno mental. Transtorno mental diz respeito a qualquer anormalidade, sofrimento ou comprometimento de ordem psicológica e/ou mental. A professora diz ainda que quase sempre é uma disfunção da atividade cerebral, que pode afetar a maneira de um indivíduo se comunicar, o seu comportamento, raciocínio, forma de aprendizado e o humor.

Importância da escola

Sabe-se que as causas ligadas à depressão na infância e na adolescência envolvem questões genéticas, individuais e ambientais.

Um tema atual, mas que já está sendo relacionado a depressão infantil mundo afora é a ausência de aulas presencias durante a pandemia. As escolas além de tudo, são ambientes sociais para as crianças. Com a pandemia suas rotinas mudaram drasticamente, logo crianças, que são seres que amam uma rotina. Se viram presas em casas e apartamentos com pouco espaço para brincarem e geralmente, sem outras crianças para interagirem, uma criança normal dispõe de muita energia, que precisa ser gasta com atividades rotineiras, entretanto, os pais não estavam preparados para lidarem com esses e outros problema relacionados a esse momento atual.

Contudo isso e muito mais, algumas crianças vem sofrendo transtornos depressivos, as queixas e relatos e a busca de pais aos profissionais vem aumentando gradativamente.

É notável a importância das escolas na organização social das crianças, e que a necessidade de reabertura dessas é real e necessária, entretanto, vivemos numa situação que exige isolamento social como forma de prevenção a todos, pois as escolas abertas oferecem um alto risco de disseminação do covid-19. Portanto, essa decisão deverá ser tomada por especialistas.

Quanto as crianças, é necessário que os pais e responsáveis fiquem de olho, e caso percebam alguma alteração no comportamento dos pequenos, como ansiedade, tristeza, agressividade e desinteresse pelas atividades habituais, pode ser um sinal de alerta.

O Tratamento

Ao notarem sinais não habituais de comportamento, é necessário que os pais busquem ajuda de um profissional. Porém várias famílias possui um grande preconceito quando se fala em psicólogo, por não aceitarem e/ou admitirem que podem ser diagnosticadas com algum transtorno mental muito jovem.

Portanto é necessário deixar o preconceito de lado e buscar ajuda, pois, trata-se de algo sério e que se não tiver tratamento adequado poderá perdurar para a vida toda, podendo, infelizmente até, levar ao suicídio em alguma fase da vida.

A depressão infantil na quarentena existe porque a criança está em processo de desenvolvimento, descobertas, aventuras e aprendizagem. Ela tem a necessidade de se movimentar e interagir. No instante que ela se depara confinada, não existe mais essa troca, ela não tem noção nem limites.

A pandemia é um momento inédito na vida de todos nós, é importante, que para amenizar o sofrimento e estresse das crianças a família esteja sempre próxima, dê atenção, carinho e desenvolva atividades juntos. É necessário também que se explique numa linguagem bem simples sobre a pandemia e o porquê de todas essas restrições e dizer que isso tudo irá passar um dia.

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